As dissonâncias do amor

As dissonâncias do amor

A jornada para a profundeza do ser em busca do verdadeiro sentido da existência inevitavelmente chega ao significado do Amor, onde a sensibilidade acumulada nas experiências da vida define o quanto nos é permitido perceber da energia mais sublime da Criação.

Muitas ainda são as interpretações dadas à palavra “Amor”, desde aquelas relacionadas aos sentidos mais superficiais da vida carnal àquelas mais nobres, das causas pelos irmãos em sangrias de carência.

Dentre tantas dúvidas que se instalam na busca por novas respostas, pulsa a profunda incerteza do que seria o Amor, se ainda a agradável sutileza da empatia emocional ou o dever de harmonizar outras emoções dissonantes das nossas.

A noção pré-existente em nossas consciências e corações certamente ainda nos leva a autoenganos, mesmo quando já nos encontramos em jornada ressignificadora. O falso dilema que se instala entre o querer e o dever é simples equívoco de uma percepção ainda egocêntrica, natural de Espíritos em lapidação.

Equivocadamente, sentimos como se conseguíssemos delimitar do Amor Maior, as suas dimensões, funções, causas e consequências, como se soubéssemos de antemão sua origem e essência, sua ação e reação, seu poder infinito de tudo harmonizar e tudo transformar.

O Amor é aquilo que cria o meio, que se faz mensagem e que dá sentido à existência em crescendo, pois todas as aplicações de energia que fazemos em sentimentos, pensamentos e ações são suas manifestações em algum grau.

No estágio no qual estamos, quando essas energias se encontram harmonizadas, dizemos que há o amor, o bem, a paz… Diante da desarmonia das emoções, falamos que ali há o desamor, o vazio ou coisa semelhante… Será mesmo assim?

Todas as situações da existência (consideradas boas ou más por nós) são ocorrências da energia amorosa, dentro do contexto do Amor, pela linguagem do Amor. O resto é valoração interpretativa feita a partir de conceitos superficiais que ainda nos são caros: dor, sofrimento, lembrança, esquecimento, desejo, repulsa, todos eles reflexos de ruídos energéticos interiores, ou seja, de amor dissonante.

Em verdade, como nossas interpretações tocam somente parte do que se manifesta por intermédio desta energia sublime, somos ainda incapazes de perceber que as desarmonias também são emanações energéticas do campo divino gerado e mantido pelo Amor Maior.

A Criação nos deu um universo inteiro para a semeadura das experiências lapidadoras. Nesta grande trama de possibilidades e desdobramentos, vamos enfrentando as adversidades da existência como forma de conhecer a nós mesmos por meio dos princípios do livre-arbítrio e de causa e consequência.

Tudo o que nos acontece encontra-se sob o controle da Criação e, portanto, possui relação com a dinâmica amorosa dos caminhos aparentemente aleatórios.

Do ponto de vista da Intencionalidade Primeira, estamos exercitando pensamentos, sentimentos, movimentos e suas consequências em interações de reparação e renovação. Os acontecimentos da vida são motivados por nós mesmos e tudo o que nos é permitido gerar é também parte da Criação.

Enfrentamos os embates atuais motivados pela necessidade de sintonia fina de sentimentos, pensamentos e ações. Eles são somente efeitos de Amor ainda dissonante.

Enquanto houver o choque das partes conflitantes de nossas essências, estaremos, ao mesmo tempo, ainda machucando, mas já curando; ainda destruindo, mas já reparando; ainda abandonando, mas já salvando – até o dia em que sejamos uma só vibração sem mais Amor dissonante.

Paz e Luz.

Mensageiros da Transição, JUL2016, revisado em NOV2020.

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