Lei de adoração

Lei de adoração

A adoração se mostra, na história da raça humana, como um dos mais refinados sinais primitivos de desenvolvimento de uma consciência capaz de transcender a sua existência. Há centenas de milhares de anos, o homem já concebia enterrar seus mortos e lhes prestar homenagens, sinais que nos levam a crer que já tinham alguma ideia de que um mundo mais amplo que o físico os esperava do outro lado do véu da vida.

Segundo a obra de Kardec, em trecho redigido pelos espíritos, a adoração consiste em “elevação do pensamento a Deus. Deste, pela adoração, aproxima o homem sua alma”. Consideram os irmãos que a adoração é um sentimento inato a todos, que cientes das suas fraquezas se curvam diante de um ser maior que os pode proteger, sendo essa situação presente na história de todos os povos que constituíram a humanidade.

A adoração nos moldes do que consideramos como fé raciocinada, precisa vir do coração e não apenas ser ato externo para prestar contas ao mundo sobre as suas crenças e atitudes. Ainda assim, a adoração que se mostra ao mundo, mas tem intenção legítima e verdadeira, serve de inspiração para os irmãos que buscam apoio no entendimento e fortalecimento da fé e da sua espiritualidade.

“Deus prefere os que O adoram do fundo do coração, com sinceridade, fazendo o bem e evitando o mal, aos que julgam honrá-Lo com cerimônias que os não tornam melhores para com os seus semelhantes.

Todos os homens são irmãos e filhos de Deus. Ele atrai a si todos os que lhe obedecem às leis, qualquer que seja a forma sob que as exprimam.

É hipócrita aquele cuja piedade se cifra nos atos exteriores. Mau exemplo dá todo aquele cuja adoração é afetada e contradiz o seu procedimento.

Declaro-vos que somente nos lábios e não na alma tem religião aquele que professa adorar o Cristo, mas que é orgulhoso, invejoso e cioso, duro e implacável para com outrem, ou ambicioso dos bens deste mundo. Deus, que tudo vê, dirá: o que conhece a verdade é cem vezes mais culpado do mal que faz, do que o selvagem ignorante que vive no deserto. E como tal será tratado no dia da justiça. Se um cego, ao passar, vos derruba, perdoá-lo-eis; se for um homem que enxerga perfeitamente bem, queixar-vos-eis e com razão.

Não pergunteis, pois, se alguma forma de adoração há que mais convenha, porque equivaleria a perguntardes se mais agrada a Deus ser adorado num idioma do que noutro. Ainda uma vez vos digo: até Ele não chegam os cânticos, senão quando passam pela porta do coração.”

Allan Kardec, 1857

Nessa citação de O Livro dos Espíritos, podemos perceber que a lei da adoração, ainda que seja uma das leis morais essenciais e inerentes à existência humana, pressupõe a ação intencionada e sincera dos homens de se colocarem como elos mais frágeis na relação com o Criador, e aceitar o seu papel de criatura nesse universo. Desse modo, que nesse ano vindouro, possamos conseguir demonstrar, a cada dia, o nosso compromisso com a missão que a divindade nos entregou, ao permitir que viéssemos em tão crítico momento da existência terrena, adorando o Criador com nossos atos, intenções e sentimentos.

Gabriella Araujo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *