Medicina e Espiritualidade se unem para cuidar da saúde de forma integrada

Medicina e Espiritualidade se unem para cuidar da saúde de forma integrada

Conhecimentos e práticas ancestrais […] ganham cada vez mais respaldo da ciência e da medicina para seus resultados. Estudos já comprovam que a espiritualidade – não necessariamente ligada a uma religião -, por exemplo, tem efeitos positivos sobre quem passa por algum sofrimento, seja físico, emocional ou mental[…].

No âmbito da pesquisa, os especialistas são rápidos em esclarecer que não se trabalha com religião. “Isso envolve dogmas, crenças, e religiosidade é quando a pessoa tem uma religião e incorpora isso dentro da vida dela. Espiritualidade é um guarda-chuva mais amplo, que agrega quem tem ou não uma crença, e são as emoções, sentimentos que norteiam nossa vida de relacionamento, conosco e com os outros, em casa e no trabalho”, explica Álvaro Avezum, […], da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

 Já os sentimentos como raiva, ira, dificuldade em perdoar ou falta de gratidão têm uma ação contrária. “Você tem maior descarga de noradrenalina, de hormônios como cortisol [liberado em situação de estresse] e esses hormônios provocam uma reação inflamatória que altera a coagulação do sangue. [Se um coágulo se forma] dentro de uma artéria coronária, leva ao enfarte; se for no cérebro, leva ao acidente vascular cerebral (AVC)”, explica Avezum […].

Em momento de raiva, o cortisol baixa a imunidade, propiciando o surgimento de condições que a pessoa já está predisposta a ter – o que pode variar de problemas no coração até gastrite, úlcera e desordens psicológicas. Embora seja normal ter esse tipo de sentimento, já que a raiva é uma emoção básica humana, é possível encará-la de forma positiva. 

Na ciência. […]

Ao entender que sua vida está sob controle de algo ou alguém maior […], a pessoa tende a enfrentar o sofrimento de forma mais positiva. A certeza de um suporte ‘além’ faz com que a angústia diminua, e os sentimentos favoráveis tragam conforto.

Um estudo realizado nos Estados Unidos com 95 pacientes adultos com doença falciforme […], concluiu que o enfrentamento religioso positivo foi o único responsável pela variação nas internações após outros fatores terem sido estabilizados. Quem tinha uma espiritualidade mais elevada foi associado com menor número de hospitalizações […].

“[As pessoas] gostariam que os médicos conversassem com elas sobre isso”, afirma Leão […]. 

Para quem declara não ter alguma crença, os profissionais trabalham questões voltadas aos valores humanos que norteiam o paciente em momentos de sofrimento […].

Efeito negativo. Embora os estudos apontem, na maioria, para resultados positivos da aliança entre saúde e espiritualidade, algumas pessoas atribuem à doença uma conotação moral e religiosa punitiva. Além de pensá-la como um ‘castigo divino’, Leão cita ainda os sentimentos de culpa e a orientação de algumas denominações [espirituais] para não realizarem o tratamento.

Nesses casos, o especialista diz que a equipe tenta “empoderar o paciente de outras possibilidades e perspectivas” a fim de que ele mude sua visão sobre o sofrimento. […] “Se ele [paciente] for mais próximo de atitudes do bem, tem menos doença cardiovascular”, afirma. “A próxima etapa, da qual temos apenas indícios, é se podemos ter uma intervenção para que a pessoa aprenda melhor a ter sentimentos edificantes”, diz.

Independente da vertente, a espiritualidade aumenta as possibilidades de tratamento para vários sofrimentos humanos. Segundo Leão, isso ainda reduz os custos de uma “medicina secularizada, com exames, medicamentos e procedimentos que a maioria da população não tem acesso”, seja pela falta de oferta do governo ou do alto custo. Conforme pontua a OMS, a pessoa deve ser encarada em sua plenitude: nos aspectos físico, mental, espiritual e social.

Fonte: Ludimila Honorato – O Estado de S.Paulo/matéria completa em: https://emais.estadao.com.br/noticias/bem-estar,medicina-e-espiritualidade-se-unem-para-cuidar-da-saude-de-forma-integrada,70002341462

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